Para mudar o mundo é preciso mudar a si mesmo.
Projeto Saber e Mudar
Aos poucos e sempre.
Evolução
Não há progresso sem mudança e quem não consegue mudar a si mesmo, acaba não mudando coisa alguma. - George Bernard Shaw
Transformação
Senhor, reforma o teu mundo, começando por mim! - Antiga oração chinesa
Mudança
Você precisa ser a mudança que você quer ver no mundo. - Mahatma Gandhi
Sabedoria
Ninguém é bom por acaso; a virtude precisa ser aprendida. - Sêneca
Vida
Viver é mudar e ser perfeito é ter mudado muitas vezes. - John Henry Newman
Interação
A tua mudança acarretará mudanças à tua volta - eis a tua maneira de mudar o mundo. - Carlos A. Baccelli, pelo Espírito Irmão José

Texto de hoje

quarta-feira, 15 de agosto de 2018:

 

 

66 ANOS DA MANSÃO DO CAMINHO (DIVALDO FRANCO)
 
 

E A SEMENTE SE TORNOU FLOR, FRUTO, EM BÊNÇÃOS DE AMOR

 

A Mansão do Caminho, construída numa área muito bonita de 83.000 metros quadrados, está envolvida pelo verde profundo da mata nativa e pelo colorido festivo dos seus jardins, sempre tão bem cuidados.

Há uma atmosfera de serenidade que nos encanta e comove, principalmente ao entardecer, quando a luz dourada do sol a ilumina docemente e uma suave paz nos envolve, convidando-nos a profundas reflexões.

Divaldo [Pereira Franco], juntamente com uma equipe de colaboradores, inaugurou esse grande lar no dia 15 de agosto de 1952.

O primeiro prédio da Mansão do Caminho, nome dado em homenagem à Casa do Caminho dos primeiros cristãos, surgiu na Rua Barão de Cotegipe nº 124, no bairro da Calçada, em Salvador [BA].

Um episódio interessante mostra as lutas para adquirir esse imóvel.

Divaldo teve a ideia de realizar uma tômbola de um automóvel. Ele foi a uma empresa denominada Navarro Lucas para adquirir o referido carro. A firma não podia entregá-lo, a não ser que ele avaliasse a compra, isto é, desse um sinal.

Divaldo não conhecia ninguém que pudesse ficar responsável pelo pagamento inicial.

Então um Espírito lhe apareceu dizendo ser José Nunes de Mattos. Disse também a Divaldo que telefonasse para seu filho, José de Mattos Filho, que ele poderia ajudá-lo.

Imediatamente, Divaldo telefonou contando-lhe sobre a comunicação do Espírito, seu pai. Dr. José Nunes de Mattos Filho ficou muito emocionado com aquele fato e colocou-se à sua disposição. Apesar da boa vontade, não dispunha no momento dos recursos necessários. Mas esclarecido pelo Espírito, ficou sabendo, através de Divaldo, que tinha uma quantia em dinheiro para receber. Quando eles foram à repartição, havia realmente uma importância a seu dispor, a qual entregou a Divaldo.

Após a licença para realizar a tômbola, eles conseguiram levantar uma boa quantia em dinheiro, depositando-a em Banco.

Através dos jornais, Divaldo ficou sabendo da existência de um casarão de três pisos e que seria leiloado. Ao participarem do leilão, conseguiram arrematar o Solar dos Silva. E o sonho da sede própria estava quase realizado.

Mas apareceram grandes obstáculos. Autoridades religiosas da época tentaram impedir que o Grupo Espírita tomasse posse da casa.

Divaldo lutou muito, chegando a falar com o cardeal no seu Palácio Episcopal, explicando-lhe o nobre ideal do Grupo que desejava amparar crianças órfãs. Foi expulso de lá, sob o argumento de que não seria permitido que o “demônio” erguesse a sua sede defronte da “Casa de Nossa Senhora dos Mares”.

Divaldo, então, procurou o Dr. Newton Martins O’Dwyer, advogado do IPASE(1), que era católico, para defender a causa. E em curto espaço de tempo, tudo ficou solucionado.

Foi nesse prédio que se iniciou esse trabalho de amor, de abnegação, de sacrifícios, renúncias e alegrais que tanto nos encanta o coração.

Como não havia mobília para a inauguração, um vizinho, proprietário de um estabelecimento de móveis, emprestou algumas peças de sua loja. Maria Dolores(2) doou as mesas e as cadeiras. Somente aos poucos e à prestação puderam comprar os móveis necessários.

Outro caso interessante foi a visão psíquica que Divaldo teve e que ele mesmo nos conta:

 

“Nos finas de 1948, eu voltava do interior da Bahia em companhia de Nilson(3). Estava ainda no trem, quando tive uma visão psíquica, que seria decisiva na minha atual existência: O trem corria, eu olhava a paisagem e, simultaneamente, senti-me deslocado para uma área muito grande, toda arborizada, com uma série de construções e um grupo de crianças em torno de um homem de idade. Quando eu estava a menos de dois metros, ele se voltou para trás e eu me dei conta de que aquele homem era eu próprio, porém mais velho.

“Chegamos a Salvador e segui para a sessão mediúnica habitual, quando Joanna de Ângelis, que ainda se identificava como Espírito Amigo, perguntou-me se eu não gostaria de dedicar minha vida a educar crianças socialmente órfãs, porque esta tarefa estava dentro do meu programa de evolução espiritual.

“Foi assim que nasceu a Mansão do Caminho, recebendo esse nome em homenagem aos cristãos primitivos, pregadores das estradas, conhecidos como “homens do caminho”.

“Começava a nascer, então, o que viria a ser uma dupla experiência educativa: os lares-família, reprogramando o ambiente familiar. A partir da convivência em uma casa com dois quartos, sala, cozinha e banheiro, de 8 crianças de ambos os sexos, sob os cuidados de uma tia. E uma iniciação espírita através de preces diárias, transmitidas por um sistema de som ligado a todas as casas lares. E o comparecimento às sessões doutrinárias e mediúnicas.”

 

Porém, foi somente no ano de 1955 que foi encontrado o terreno onde seria construída a Mansão do Caminho como é hoje.

Divaldo foi procurado por um amigo e cooperador, Newton Sá Roriz, que lhe trouxe informações interessantes. Disse a Divaldo que havia encontrado o terreno com as mesmas características da sua visão psíquica de anos atrás.

E então foram ao bairro Pau da Lima, que ficava muito distante da cidade, ainda sem água, sem eletricidade e a condução para lá chegar era precária.

Havia um velho portão na propriedade envelhecida. Diante desse terreno, Divaldo reviu a paisagem da sua visão e decidiu comprar a propriedade.

Em 1956, os vinte e oito meninos do antigo casarão foram transferidos para a futura comunidade. Os meninos, acompanhados e dirigidos por Divaldo, Nilson e uma tia, começaram com os próprios braços o preparo do terreno, abrindo ruas, fazendo hortas, etc.

 

“No princípio foi uma tarefa árdua, por falta de conforto.”

 

Naquela época, eles só possuíam o essencial para viver. O ônibus passava em frente da Mansão do Caminho de três em três horas, quando acontecia de passar por lá.

O trabalho era muito nobre, muito bonito, mas realizados com grandes sacrifícios.

 

“Às vezes o dinheiro acabava e não tinha de onde tirar, nem mesmo para a alimentação.”

 

Mas Deus nunca desamparou e sempre chegava à hora certa os alimentos necessários.

E assim, aos poucos, com muito trabalho e o espírito de luta de Divaldo e de seus colabores, o grande lar da Mansão do Caminho foi ampliado, surgindo as quatro escolas, do curso maternal à 8ª série, com 2.000 alunos, denominadas creche A Manjedoura (para crianças de 2 meses a dois anos e meio de idade); Jardim de Infância Esperança; classes para o curso pré-primário Escola Jesus Crsito (níveis 1 e 2); Escola Allan Kardec; Escola Alvorada Nova (para meninos de rua), Escolinha Leonardo (para os que não conseguiram vaga em nenhuma outra escola).

Presta assistência a 300 famílias tidas como recuperáveis.

Na Mansão do Caminho há um Posto de Atendimento Médico Odontológico, com vários consultórios; laboratório de análises clínicas, atendendo mais de 20.000 pacientes anualmente, fornecendo, inclusive, curativos e injeções e distribuindo medicamentos gratuitamente.

A gestante carente recebe atendimento médico e odontológico, e aprende a confeccionar o enxoval do seu futuro bebê.

 

 

Oferece cursos profissionalizantes de eletricista, mecânico, marceneiro, sapateiro e padeiro; escola de auxiliar de enfermagem Irmã Scheilla; escola de datilografia Joanna de Ângelis; corte e costura; pintura, bordado, manicure e artesanato em geral.

Possuir também sala de costura, bazar, bibliotecas, museu, quadra de esportes, artes, almoxarifado, lavanderia industrial, o Centro Espírita Caminho de Redenção, o atendimento espiritual com aulas de evangelização infanto-juvenil.

Há, na Mansão do Caminho, a Livraria, Editora e Gráfica Espírita Alvorada, com milhares de livros e revistas editados, bem como milhares de mensagens impressas e distribuídas gratuitamente.

Mais de 100 fitas gravadas para vídeo-cassete e em áudio, com as palestras proferidas por Divaldo, seus seminários, workshops, enriquecendo os corações.

Anualmente, são atendidos, em média, 8.000 pedidos de orientação espiritual.

A caravana Auta de Souza socorre a 200 famílias, e também a idosos carentes.

Sopa Lourdes Saad, com distribuição diária de almoços e pães para os necessitados do bairro.

Círculo de Leitura Espírita, com 3.600 sócios.

Além desse labor em prol das crianças e das famílias, há um trabalho muito importante de educação para os pais, que participam de reuniões mensais, a fim de ser melhorado o padrão cultural das próprias famílias. É um reforço do trabalho da Assistente Social da Creche.

O Jardim Esperança, com atendimento anual de 340 crianças, conta com a participação de professoras, algumas filhas da Mansão, contratadas pelo Lar Fabiano de Cristo, que é o responsável pela sua manutenção.

 

 

Creche A Manjedoura

 

A creche A Manjedoura abriga 130 crianças, de um mês a dois anos e meio de idade, que depois dessa idade passam para o Jardim da Infância Esperança e posteriormente para as classes de pré-primário, prosseguindo nas outras Escolas.

No Jardim de Infância Esperança estão matriculadas 450 crianças.

O próprio Divaldo, ou tio Di, se denuncia enquanto observa os bebês voltando do almoço, bem alimentados, e o andar apressadinho rumo à sesta. “É o máximo!” – diverte-se ele, com os olhos brilhando de alegria.

As crianças chegam às 7h00 e saem às 17h30. São moradoras de Canabrava, Sete de Abril, São Marcos e outros bairros paupérrimos da cidade.

A creche dispõe de um centro médico, para onde vão as crianças doentes, em geral portadoras de infecções respiratórias, para que suas mães possam trabalhar com tranquilidade. Quando as mães ficam desempregadas, as crianças continuam na creche, para que elas possam procurar outro emprego.

Aos sábados e domingos, as mães recebem a alimentação das crianças. Muitas vezes, recebem o alimento não só dos bebês, mas de toda a família.

São, portanto, 44 anos de luz(4), trabalho de amor e educação, dedicados às crianças, adolescentes, jovens e famílias socialmente carentes. Quando este amor sublimado é a meta, a fraternidade deixa de ser sonho para ser maravilhosa realidade.

A Mansão do Caminho, como árvore dadivosa, cresceu, estendeu seus ramos com ternura e se derramou em bênçãos de flores e frutos.

 

Texto baseado nos livros Mansão do Caminho – 40 Anos(5), de Washington L. N. Fernandes, Editora LEAL, O Peregrino do Senhor(6), de Altiva N. Fonseca, Editora LEAL e Moldando o Terceiro Milênio(7), de Fernando Worm, Editora Leal.

 

 

 

 

MUDANÇA NA FILOSOFIA DE TRABALHO

 

Divaldo nos fala sobre as mudanças na filosofia do trabalho da Mansão do Caminho:

 

        “Há cinco anos, houve uma mudança na filosofia do trabalho. Passamos a dar atendimento semi-interno, alimentação, roupa, calçados, escola, mantendo a criança em sua comunidade. Dessa forma, a criança não se desloca do seu meio social e a obra continua prestando assistência, de uma maneira mais ampla, que compensa os limites de sua capacidade de absorção.

“A criança é a base de todo o trabalho” – ressalta Divaldo. – “Nas escolas, por exemplo, estudam 400 meninos e meninas de rua, considerados de alta periculosidade. Além disso, a obra atua também junto à comunidade de Pau da Lima e bairros vizinhos, distribuindo cerca de 400 almoços por dia, uma cesta básica por semana, bem reforçada, com leite, carne, aveia e outros alimentos para os aidéticos e tuberculosos; o pagamento do aluguel do barraco de 300 famílias, fora o atendimento médico prestado a 270 idosos e doentes, entre os quais 22 aidéticos, e distribuição de 50 enxovais por mês às gestantes carentes.

Para atender a toda essa gente, a Mansão conta com 280 voluntários e cerca de 80 funcionários pagos, muitos dos quais ex-internos.”

 

A Mansão paga os funcionários e se sustenta através de doações, convênios com governo e, sobretudo, pela concessão dos direitos autorais dos 130 livros psicografados por Divaldo(8), que ele direcionou, em cartório, ao Centro Espírita Caminho da Redenção, assim como a outras Entidades no país e no Exterior (traduções).

 

 

Livro: O Jovem Que Escolheu o Amor

Maria Anita Rosas Batista

Casa Editora Espírita Pierre-Paul Didier

 

Notas de Fernando Peron (abril de 2018):

(1) – IPASE – Instituto de Previdência e Assistência Social do Estado da Bahia, onde Divaldo trabalhou como escriturário, até aposentar-se.

(2) – Maria de Carvalho Leite, conhecida como Maria Dolores (1901-1958), amiga de Divaldo. Depois de desencarnada, psicografou muitas mensagens e alguns livros próprios através de Chico Xavier (1910-2002).

(3) – Nilson de Souza Pereira (1924-2013), grande companheiro de Divaldo em suas atividades doutrinárias e assistenciais. Fundou, junto com ele, a Mansão do Caminho.

(4) – Os 44 anos se referem ao ano de 1996, quando este livro estava sendo escrito (lançado em 1997). Hoje, portanto, já são 66 anos da Mansão do Caminho.

(5) – Mansão do Caminho – 40 Anos: Uma História de Amor na Educação. Washington Luiz Nogueira Fernandes. LEAL – Livraria Espírita Alvorada Editora.

(6) – O Peregrino do Senhor. Altiva Glória F. Noronha. LEAL – Livraria Espírita Alvorada Editora.

(7) – Moldando o Terceiro Milênio – Vida e Obra de Divaldo Pereira Franco. Fernando Worm, Divaldo Pereira Franco. LEAL – Livraria Espírita Alvorada Editora.

(8) – Hoje já são 258 obras.

 

Veja todos os anteriores:
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Há exatos 10 anos

15 de agosto de 2008:

 
 
AMOR SEM ESCRAVIDÃO
 
 

      Ama sem escravizar aquele a quem te devotas, não se lhe escravizando também.

 

Livro:  Serenamente em Paz

 Divaldo Pereira Franco, pelo Espírito Joanna de Ângelis, organizado por Ana Maria Spranger Luiz

 LEAL – Livraria Espírita Alvorada Editora

 


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